quarta-feira, 13 de maio de 2015

Já compartilhei em todas as redes sociais mas resolvi postar aqui também. Desde março sou colaboradora do site e-Internacionalista e minha estréia foi com um texto sobre um dos meu temas favoritos: o peacekeeping.
O artigo é uma síntese introdutória sobre as bases das operações de paz realizadas no âmbito das Nações Unidas. A minha ideia principal é fazer entender o que consiste essa atividade que todo mundo já ouviu falar mas muitas vezes não sabe bem o que é e como funciona. Bom, boa leitura. 

As operações de Peacekeeping da ONU: uma breve introdução    
   
A principal atividade da Organização das Nações Unidas em situações conflituosas é o peacekeeping. As operações têm um importante papel na história da organização e representam um avanço à busca pela paz e segurança. Esse tipo de operação não está previsto na Carta das Nações Unidas, mas tem sua base consolidada no artigo 40 da Carta, que prevê medidas provisórias pelo Conselho de Segurança a fim de evitar o agravamento de um conflito.
Embora o peacekeeping tenha sido criado na ONU, a ideia já havia sido manifestada no âmbito da Liga das Nações (1919). Em 1948 o primeiro protótipo surgiu com as missões desarmadas de observação e monitoramento no Oriente Médio, sendo em 1956 o marco inicial na história do peacekeeping das Nações Unidas. Com a UN Emergency Force (UNEF I) durante a Crise de Suez, a atividade começou a tomar a forma que tem hoje e a consolidar-se como uma missão armada, formada por soldados de diferentes nacionalidades. No início, a necessidade principal era monitorar o cessar-fogo entre partes criando um ambiente o mais estável possível, o que evoluiu para diferentes fases de um conflito se moldando aos novos conflitos que surgiriam nos anos sucessivos.
O peacekeeping é fundado sob três princípios correlatos: o consentimento das partes, a imparcialidade e o não uso da força, o último tendo como exceção a legitima defesa e defesa do mandato. Tais pilares foram idealizados pelo secretário-geral da ONU na época, Dag Hammarskjold, considerado um dos “pais” das operações de paz.
O consentimento das partes é importante para o funcionamento das operações, proporcionando maior espaço aos capacetes azuis e criando um ambiente de confiabilidade para que o mandato da missão seja executado. Claro que, dado o caráter de alguns conflitos, o consentimento das principais partes não garante que não existam outros grupos internos que desaprovem uma missão. Também é importante sinalizar que tal princípio é exceção em alguns casos, nas operações conhecidas como peace enforcement.
A imparcialidade é crucial para se estabelecer confiança entre a ONU e as partes de um conflito, mas tal característica se difere do conceito de neutralidade. Ser imparcial não significa omitir-se diante de atos de violência que podem comprometer o processo de estabelecimento da paz, mas sim que a ONU não tomará partido de um dos envolvidos no conflito. Diante de tal, chegamos ao terceiro principio: o não uso da força.
O objetivo das intervenções é criar um ambiente propício ao reestabelecimento da paz sem o uso da força, porém foi necessário revisar esse principio ao longo dos anos. Diante de inúmeros acontecimentos e com base no capitulo VII da Carta, foi permitido uso da força por parte dos peacekeepers em casos de autodefesa ou para defender o mandato de uma operação, sendo tal princípio hoje conhecido como “mínimo uso da força”. Assim, podemos notar a diferença de imparcialidade e neutralidade, e uma maior garantia da proteção dos civis.
As Nações Unidas desenvolveram um documento intitulado Capstone Doctrine (2008) onde se cita as cinco atividades de paz e segurança da instituição como sendo: Conflict prevention, peacemaking, peacekeeping, peace enforcement e peacebuilding. Cada uma dessas atividades é desenvolvida em certo período do conflito: antes, durante, após o cessar fogo e a partir do acordo de paz. A prevenção de conflitos (conflict prevention), como o próprio nome já deixa claro, trata-se de atividades diplomáticas desenvolvidas em um período no qual  já existe a possibilidade de se desencadear um conflito.
O peacemaking é a promoção da paz em um primeiro momento do conflito, buscando a negociação entre as partes, a fim de evitar que tal tome maiores proporções. Seguindo, o peacekeeping é um processo de resolução de conflitos direcionado ao período entre o cessar-fogo e o tratado de paz, com o objetivo de monitorar o cessar fogo e criar um ambiente propício as negociações para uma solução diplomática.
Diante de um período histórico marcado por um grande número de conflitos intraestatais, surgiu o peace enforcement que, pela dificuldade de se identificar claramente as partes de um conflito a fim de obter um consentimento, é uma missão com caráter coercivo. A imposição da paz sustenta-se no Capítulo VII da Carta, mais precisamente no artigo 39º, que prevê ao Conselho de Segurança o poder de decisão das ações que serão tomadas diante de uma ameaça a paz.
A atividade mais recente da organização é o peacebuilding ou a solidificação da paz. O peacebuilding nasce da necessidade de missões mais complexas e multidimensionais direcionadas ao período pós-guerra. O objetivo é reconstruir a estrutura do Estado e trabalhar nas causas originárias do conflito para se excluir quaisquer possibilidades de reincidência. Para criar um ambiente de paz duradoura, a ONU trabalha em dimensões diversas de uma sociedade que vão das bases políticas e jurídicas de um Estado até a assistência direta ao individuo.
Em síntese, podemos entender que:
(…) as operações de peacekeeping da ONU são um conjunto de ações práticas não violentas que podem ser aplicadas antes, durante ou depois de um conflito inter ou intra Estados, desenvolvidas em campo por um pessoal militar-civil armado e qualificado (BRUGNOLLI, 2014, p.7).
O Conselho de Segurança das Nações Unidas é responsável pela autorização de uma operação de peacekeeping e tal deve possuir um mandato objetivo e claro, e a determinação de números e prazos. Apesar de suas diferentes vertentes, a finalidade principal das missões é restabelecimento e manutenção da paz, principalmente buscando a proteção dos civis e dos direitos humanos que são as esferas mais afetadas pelas consequências brutais de um conflito.
Referências:
ARIEFF, Irwin (Org.). Global agenda: issues before the United Nations 2010-2011. New York: United Nations Associations, 2010.
BELLAMY, Alex J.; WILLIAMS, Paul D..Understanding Peacekeeping. 2a.ed. Cambridge: Polity, 2011.
BRUGNOLLI, Hanna L.. As operações de peacekeeping das Nações Unidas do século XXI pós o relatório Brahimi. Revista Eletrônica de Direito Internacional, v. 14, dez. 2014. Disponivel em: http://www.cedin.com.br/publicacoes/revista-eletronica/. Acesso em 20 fev. 2015.
HANHIMÄKI, Jussi M.. The United Nations: a very short introduction. New York: Oxford, 2008
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (org). Carta das Nações Unidas. 1945. Disponível em: http://unicrio.org.br/img/CartadaONU_VersoInternet.pdf. Acesso em: 05 jun. 2012
UN, United Nations (org). United Nations peacekeeping operations: principles and guidelines. 2008. Disponível em: http://pbpu.unlb.org/pbps/Library/Capstone_Doctrine_ENG.pdf. Acesso em: 15 nov. 2012.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Throwback - Caldonazzo

Pra relembrar um dia de outono que fui conhecer o Lago di Caldonazzo que fica na região do Trentino, no nordeste da Itália. Saudades.






quinta-feira, 16 de abril de 2015

Por mais tempo (e paciência)

Todo mundo  tem muitos sonhos e anseios na vida mas algumas vezes o tempo vai passando e esses desejos  parecem estar muito distante de nós. A gente vê filmes, lê livros e escuta as pessoas falando "corra atrás dos seus sonhos", "não fique sentado esperando", "mude aquilo que te incomoda", emfim. Mas como conciliar todas as coisas da vida?  Como trabalhar, estudar, planejar, relaxar, namorar, passear e ainda correr atrás das coisas que desejamos? É difícil, gente. Ainda é necessário lidar com a tal da ansiedade. O mundo te bombardeia com informações o dia inteira, 24 horas, sem parar! E a cada dia a gente tem uma vontade nova, um novo lugar pra conhecer, um livro pra ler, uma roupa pra comprar, um filme pra assistir. Os anos vão passando e as responsabilidades vão aumentando e o tempo parece que diminui. A gente começa a adiar as coisas ou até mesmo desistir. As vezes é necessário abandonar algumas coisas, aquelas coisas que não estão te levando a nada, não te fazem bem, não agregam, mas desistir é uma palavra que não deveria nem existir. As vezes temos que tomar decisões que podem mudar o rumo que traçamos na nossa vida, mas se nos sentimos bem quer dizer que esse "desvio" está certo. Ok, é difícil ter paciência e percorrer todos esses caminhos mas é importante aproveitar o agora, aproveitar aquele pouco tempinho que sobra na correria do dia-a-dia, tirar o melhor das situações que estamos vivendo e aos poucos nossos sonhos vão se concretizando, mesmo que seja de "grão em grão". Lidar com o tempo é complicado. Quem não gostaria que as semanas fossem mais curtas e os finais de semana mais longos? Que o dia tivesse umas 36 horas? Ou que as coisas que esperamos na vida acontecessem com um piscar de olhos?

segunda-feira, 30 de março de 2015

Tirando a poeira da estrada

Hoje minha amiga Hariana postou no seu blog um textinho que reflete exatamente o que sinto nesse momento (e vários outros). Então, resolvi tirar a poeira do blog...

Desde que a gente dá nosso primeiro choro começa a cobrança incessante pela nossa próxima etapa. Nos primeiros anos, coitados dos nossos pais. Começam a obrigação de dar satisfações e a espera pelo curso na natural da vida vira uma sucessão de cobranças e ansiedades! Ainda não nasceu o primeiro dentinho? Ainda não anda? Já levou ao pediatra pra saber se tá certo? Já falou a primeira palavra? E a escola, quando começa? Quando termina? Já decidiu pra que vai prestar vestibular? Essa faculdade não tá demorando muito não? Quando se forma? Ihhh, demorou pra começar a trabalhar, tá mandando currículo? E os namorados (as)? Vai ficar pra titia (o)? Tá namorando, quando vai casar? E o filho vem quando? Já comprou a sua casa ou vai morrer no aluguel? Quando você vai deixar de trabalhar pros outros e virar chefe? Quando vai se aposentar? E de repente estamos respondendo sobre nossos filhos tudo que perguntavam sobre a gente aos nossos pais e o ciclo da pentelhação nunca tem fim. Ê, encheção de saco… Nessa, a vida passa e nós vivemos ela inteira dando satisfações sobre coisas que, teoricamente, deveriam ser naturais, leves e menos graves. A gente vive uma vida cada vez mais ansiosa e esquecemos de comemorar as nossas pequenas conquistas porque estamos ocupados demais projetando a próxima etapa e prestando satisfações a todo mundo que parece estar mais preocupado que nós mesmos quanto a nossa vida. Na próxima vez, antes de perguntar, pense se é mesmo relevante. É muito chato ter que explicar pros outros que o nosso tempo não precisa ser o mesmo e que a gente prefere aproveitar o agora a ficar imaginando quando o próximo “check” da lista padrão da vida vai ser dado. Viva la vida! 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

TAG: Know your blogger

Fui marcada na tag "Know your blogger" pela Hariana! Como ela, vou aproveitar pra tirar a poeira daqui. Vamos começar com 11 fatos sobre mim..
  1. Eu falo loucamente sozinha! Não só em português, mas em italiano e em inglês também. Eu "treino" o que vou falar em diversas situações possíveis e impossíveis (tipo discurso no Oscar). Vivo conversando comigo mesmo.
  2. Eu sou uma pessoa organizada e tenho vários TOCs.
  3. Tenho ciumes de pessoas e coisas.
  4. Sou extremamente ansiosa.
  5. Adoro andar de transporte público.
  6. Adoro cozinhar e fico MUITO triste quando alguém não gosta do que eu faço (ao menos que eu ache ruim também).
  7. Sou a favor da legalização da maconha, do aborto e contra a redução da maioridade penal.
  8. Adoro a Jennifer Aniston e me acabo rindo com "Esposa de Mentirinha".
  9. Amo toda a fantasia criada pelo Tolkien (acho que isso não é segredo).
  10. Meu sonho é trabalhar na ONU.
  11. A minha pronúncia em inglês é terrível! Tenho dificuldade em falar palavras com "r"
Perguntinhas da Nani:

#01 Se você fosse presidente do Brasil e pudesse mudar QUALQUER coisa em um dia, qual seria a primeira mudança?
Eu poderia dizer que acabaria com a corrupção, mas como seria um trabalho longo e árduo... Em um dia eu afastaria todos esses políticos preconceituosos e racista que muitas vezes incitam a violência em seus discursos. Acho que uma pessoa nessa posição pode guardar pra si mesma essas idéias.

#02 O que tem na sua Playlist que você talvez tenha vergonha de admitir?
 Acho que não tenho vergonha de nada da minha playlist. Eu tenho Spice Girls, mas nunca seria uma vergonhoso admitir né!

#03 Quem dirigiria o filme da sua vida?
Não sei! Depende de muitos fatores. Mas acho que seria legal dar uma cara meio "mexican"

#04 Se pudesse ter um dia super sincero, qual seria a primeira pessoa pra quem você ligaria pra só falar verdades?
Talvez pra pessoas da próxima pergunta...

#05 O que você de hoje daria como conselho para você de dez anos atrás?
Não se preocupe tanto com as coisas negativas que as pessoas falam pra você, as coisas boas vão chegar. 

#06 Qual é o seu maior inimigo interno?
A ansiedade, com certeza!

#07 Se vocês ganhasse na loteria dinheiro suficiente pra nunca mais trabalhar, você pararia de trabalhar?
Acho que não! Mas claro, seria eu a chefe hahaha

#08 Um momento que você reviveria infinitas vezes se fosse possível, qual?
Hmmm... acho que não tem um momento especifico que eu escolheria. 

#09 Qual o maior orgulho que você já deu para si mesmo?
Sou muito feliz com minhas escolhas acadêmicas e fiquei muito orgulhosa do meu TCC. Ele é meu xodó!

#10 Você lembra como era sua vida antes da internet? Era melhor ou pior?
Não lembro muito! Não dá pra dizer se era melhor ou pior, era diferente. Tem coisas que me incomodam na internet mas ao mesmo tempo não me imagino vivendo sem.

#11 O que você não pode deixar de fazer nessa encarnação? Ao morrer, qual terá sido seu maior feito?
Não tenho essas respostas ainda, mas desejo que cada dia eu possa fazer pequenas coisas que façam a diferença nesse mundão.

É isso! Vou estragar a brincadeira porque não tenho ninguém mais pra marcar. Desculpem!